Trânsito

Finais de semana na Bento seguem dando dor de cabeça

Mesmo com a pandemia as cenas de desordem e desrespeito às leis continuam acontecendo

Carlos Queiroz -

Por Vitória Leitzke
web@diariopopular.com.br

Um problema histórico e persistente. Seja para quem mora nas redondezas ou transita pela avenida Bento Gonçalves, os finais de semana, tradicionalmente, têm como cenário a insegurança e o medo. Mesmo durante a pandemia, jovens seguem se reunindo e, segundo moradores da região, abusando do consumo de bebida alcoólica, drogas ilícitas, além de perturbar o sossego alheio com som alto e rachas de carro ou moto.

A cena na Bento piora nas madrugadas dos sábados para domingos. E também se repete em outros pontos da cidade, como nas avenidas Duque de Caxias e Dom Joaquim. Comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar em Pelotas (BPM) desde 2019, o tenente-coronel Marcio André Facin afirma que as ocorrências na avenida Bento Gonçalves são um dos focos principais das operações integradas iniciadas em 2017, com o Pacto Pelotas Pela Paz. "[Já ocorreram] diversas prisões e recolhimentos de veículos ao longo dos últimos anos, bem como apreensões de equipamentos de som, especialmente em decorrência da contravenção penal de perturbação do sossego público", argumenta.

O comandante contabiliza que, em 2021, foram realizadas 155 operações em toda a cidade, sendo 36 especificamente na Bento, com 2.078 pessoas abordadas, 23 prisões, 353 veículos fiscalizados, 81 autuados, 34 recolhidos e uma arma de fogo apreendida.

Conforme o secretário interino de Segurança Pública (SSP), José Apodi Dourado, as equipes das operações reúnem-se semanalmente para discutir as ações. Entretanto, pondera que a demanda de fiscalização em festas clandestinas e o atendimento de demais denúncias compromete a atuação na avenida. "As fiscalizações e autuações seguem sendo aplicadas, mas precisamos que as pessoas se conscientizem que a pandemia não passou e que precisamos sim cuidar uns dos outros", diz.

Uma festa indesejada dentro de casa

Carla (nome fictício), moradora da rua Professor Doutor Araújo, próximo à Bento, conta que nos últimos dois meses a situação voltou a ficar crítica. "A televisão tu aumenta o volume e mesmo assim não consegue ouvir, tem que dormir com a música retumbando pela casa. Chega os finais de semana e os carros com som alto atormentam." Dona de um comércio, diz que nos finais de semana fecha o estabelecimento mais cedo por segurança. "Ocasionalmente, acontece trocas de tiros, brigas, então tranco as vendas pois é muito perigoso, mesmo tendo portaria 24 horas no meu prédio, é bem preocupante", desabafa.

Outro morador da Bento que prefere não se identificar relata que diversos vizinhos já afirmaram ter desenvolvido problemas de saúde pelo estresse e as noites mal dormidas devido à movimentação noturna. "Congestionamos a linha do 190 [Brigada Militar] e do 153 [Guarda Municipal] pedindo para virem acabar com o barulho. Às vezes ajuda, às vezes eles acabam voltando com o som alto após as viaturas saírem do local", diz.

Também um problema de saúde pública

As aglomerações noturnas, não só na Bento, representam um altíssimo risco de contágio do novo coronavírus e suas variantes, segundo o presidente do Comitê Covid-19 da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), professor Marcos Britto Correa. "[O risco se dá] por envolver confraternizações entre jovens que, na maioria das vezes, não tomam as medidas protetivas necessárias", explica.

Uma cena corriqueira nas aglomerações é o compartilhamento de objetos pessoais e de bebidas em copos ou garrafas, o que, de acordo com Correa, facilita a transmissão do vírus da Covid-19. "Embora neste momento estejamos presenciando uma queda no número de casos novos diários e internações, a região de Pelotas ainda apresenta indicadores elevados, superiores aos números do início do ano e de grande parte ano passado. Com pouco mais de 20% da população vacinada com as duas doses, uma grande parcela da população ainda está suscetível ao contágio, principalmente os jovens."

O professor ainda salienta quanto à variante Delta, que já circula no Brasil e possui maior potencial de transmissibilidade.

 

 

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